sábado, 12 de setembro de 2015

Educação é uma prática política

Sandra Maders*
A educação é uma prática eminentemente política. Se observarmos os problemas enfrentados hoje pela educação, são os mesmos, ou pouco diferentes dos que se apresentavam há 20, 30 e até 50 anos. Os problemas da educação se apresentam em nosso dia a dia e não na história, ou seja, por mais tempo que se passe, eles continuarão sendo os mesmos, porque a maneira como temos olhado para eles é que não mudou. Logo, esses problemas se perpetuam história adentro. Muda o tempo histórico, porém, as problemáticas continuam sendo as mesmas.

Ao falar da educação como prática eminentemente política, eu me reporto ao que costumava dizer o educador brasileiro Paulo Freire: que a crise não é própria da educação, pois se fosse crise da educação, esta passaria, mas, ao contrário, quem está em crise é a sociedade. É a crise do sistema socioeconômico no qual todos nós estamos inseridos e, consequentemente, isso reflete na educação. Pensando desta maneira, veremos que a solução para esta "crise" na educação não está somente sob responsabilidade dos governantes deste país, dos professores, dos alunos e, tampouco, dos pais, mas sim, estaria no diálogo entre todos esses segmentos que compõem a sociedade.

Então, pergunto: como começar a mudar a história da educação? Como dar respostas a tantas perguntas que estão sendo feitas ao longo deste caminho educacional? Como construir uma educação para a mudança, a sensibilidade e o respeito à integridade humana? Como construir uBom, em primeiro lugar, nos movimentando. E este movimentar-se é exatamente o ponto que considero essencial para que se mude a educação que estamos tendo. Um movimento ao encontro dos anseios das crianças, dos adolescentes e alunos em geral, professores e pais de nossas escolas. Um movimento para a mudança. Um movimento ao encontro das diferenças e das necessidades que se apresentam em nosso dia a dia. Uma educação de movimento é uma educação de abertura ao outro, em que, este outro, faça seu próprio movimento e construa sua própria história.
ma educação para mobilidade social?


Assim, parabenizo o Grupo RBS, ao dar início à campanha A Educação Precisa de Respostas, pois, acredito que, com esses espaços de discussões, poderemos encontrar, não digo fórmulas prontas de se fazer educação, até porque cada um precisa encontrar a sua, mas algumas maneiras de começarmos a mudar nosso olhar sobre os problemas da educação e, consequentemente, mudar nossas práticas pedagógicas. E, mais uma vez, como dizia Paulo Freire: mudar é difícil, mas não impossível.
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Deputados contra a juventude II
Câmara aprova em segundo turno proposta de redução da maioridade penal
A Câmara dos Deputados aprovou ontem (19/8), com 320 votos favoráveis (precisava de 308), emenda aglutinativa à PEC 171/1993 que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A proposta segue agora para o Senado. O texto passou pelo primeiro turno no início de julho depois de manobra regimental do presidente da Casa, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para contornar rejeição da proposta menos de 24 horas antes.

“Esses 320 parlamentares são algozes de um dos mais graves ataques contra a juventude brasileira”, afirma Vivian Calderoni, advogada do programa de Justiça da Conectas. “Eles se valeram, ao longo de todo o processo de tramitação, do argumento falacioso de que prender mais e cada vez mais cedo vai impactar a criminalidade. Essa ideia definitivamente não se apoia nos fatos. E, mais grave, contraria todas as recomendações internacionais sobre o tema. Ontem, os deputados colocaram o Brasil na contramão do mundo.”


Leia aqui os mitos e verdades por trás da proposta de redução da maioridade.

A emenda aprovada estabelece que serão julgados como adultos adolescentes maiores de 16 envolvidos em crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal. Jovens que respondem por esses crimes somam, hoje, cerca de 14% de todos os que cumprem medidas socioeducativas no País, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O texto também prevê que sejam construídas unidades especiais para atender esse grupo.
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